Os meios midiáticos na Educação

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As mudanças das práticas de leitura a partir da ascensão dos diferentes formatos de textos digitais

Por Manuela Barreto


Atualmente, com o desenvolvimento das mídias digitais e a convergência com a Educomunicação é possível estabelecer leitores críticos dos ambientes virtuais, das redes sociais, os quais se tornam, também, agenciadores desses espaços. A comunicação passou a existir de todos para todos, numa rede de construção de conhecimento dialógica, polifônica e hipertextual. Com o surgimento da web 2.0 e a terceira geração de usuários, passou-se não só a transitar e decodificar os diversos ambientes virtuais e meios de comunicação, como a ter uma participação ativa e crítica dos mesmos. Dessa forma, “a recepção de conteúdos midiáticos assume uma importância na decodificação das mensagens, em que se analisa não só a forma como o entrecruzamento de linguagens”.

Com a abertura em relação às novas linguagens e códigos, o educador atua, estabelecendo uma postura problematizadora através da qual a escola se apropria dos temas do cotidiano e os converte em conhecimento coletivamente produzido. Essa demanda pode ser percebida através da pesquisa da Fundação Itaú Social, que aponta que os estudantes que têm nota maior em matemática e/ou português têm um acréscimo no salário no mercado de trabalho: “Os resultados indicam que um aumento de 10% na nota de proficiência em matemática resulta em um acréscimo de 4,6%, em média, nos salários dos estudantes após cinco anos. No caso do português, um aumento de 10% na proficiência resultou em salário 5% maior. Para pesquisadores, estudo avança ao mostrar que não basta garantir acesso, é preciso oferecer educação de qualidade.” Evidencia-se que a escola tem um papel fundamental na construção do saber e na formação de leitores aptos a atuarem no mercado de trabalho.

Os meios midiáticos abrangem o rádio, o cinema, a televisão, a escrita impressa em livros, revistas, jornais, boletins, o computador, os satélites de comunicação, os meios eletrônicos e telemáticos de comunicação, em que se incluem as diversas telefonias. Diante desse contexto, o leitor fica imerso num universo rico em linguagens e expressões, tornando-se, também, produtor, visto que se apropria dos recursos midiáticos.

A comunicação é um produto da cultura e o emissor, assim como o receptor, identifica e estabelece sua forma comunicativa a partir de modelos pré-existentes. Dessa maneira, é importante que, em meio à pluralidade de forma e conteúdo dos textos on-line, o leitor saiba reconhecer a estrutura composicional do texto no ato comunicativo. Os gêneros textuais adquirem outros meios de veiculação com a internet e com os aparatos tecnológicos, sendo importante saber conhecer as especificidades de alguns suportes, assim como de seu processo de produção. Um exemplo dessa mudança é o jornalismo on-line, o qual possui características que o diferem do jornal tradicional, como instantaneidade, interatividade, hipertextualidade e customização, reconhecendo o usuário como um possível colaborador. Os gêneros textuais são resultados de construções sociais, surgem de acordo com apropriações culturais que os leitores e escritores realizam em seu cotidiano, dinâmica esta que ocorre no espaço mediado pelo computador, nos gêneros textuais digitais. Para Marcuschi, não é a tecnologia que origina os gêneros textuais, mas a intensidade de seu uso que levam às interferências nas atividades comunicativas diárias. No sistema World Wide Web, o usuário se depara com a produção hipertextual, em que um conjunto de nós é ligado por conexões, nos quais contêm palavras, imagens, gráficos, sequências sonoras, documentos complexos, ligados de forma não linear. Com seu caráter interativo e comunicativo, a internet tem sido utilizada com finalidade pedagógica, as redes sociais, por exemplo, são novas ferramentas didáticas, assim como algumas tecnologias móveis, a exemplo de tablets utilizados nas escolas, com e-books para leituras. O Ministério da Cultura, juntamente com a Amazon, estabeleceu o tablet como tecnologia a ser distribuída nas escolas, com conversão digital e distribuição de mais de 200 livros didáticos; os leitores tidos como nativos desenvolvem uma leitura mais dinâmica, atingindo uma quantidade maior de e-books lidos, os imigrantes, provavelmente, estabelecem uma leitura menos produtiva, pois ainda estão se adaptando ao novo paradigma digital.

Ainda no que diz respeito ao fenômeno de leitura digital, Pierre Lévy, discorre sobre as mudanças causadas com o surgimento da web, numa entrevista: “Depois do surgimento da web, na metade dos anos 1990, não houve grande mutação técnica, somente uma profusão de pequenas evoluções e progressos. No plano sociopolítico, o grande salto me parece ser a passagem de uma esfera pública dominada pelos jornais, pelo rádio e pela televisão para uma esfera pública centrada nas “wikis”, nos blogs, nas redes sociais e nos sistemas de moderação de conteúdos onde todo mundo pode se exprimir. Isso significa o começo do fim do monopólio intelectual dos jornalistas, dos editores, dos políticos e dos professores. Um novo equilíbrio ainda não foi alcançado, mas o velho sistema dominante está em franca erosão.”

Na perspectiva educativa, a tecnologia, assim como a internet, deve funcionar numa relação equilibrada entre realidade física e realidade virtual e a interatividade serve como ponte para o desenvolvimento da relação colaborativa entre usuário(s), emissore(s) e meio.