Cidades Educadoras, Comunidade Aprendentes

“Comunidade(s) aprendentes: um futuro outro para as cidades e para os cidadãos” Resumo

A cidade é uma construção social historicamente enraizada.  Cidade é encontro e cruzamento de seres humanos livres, é concentração de população, de serviços e recursos, tantas vezes implantado isoladamente no mesmo território, é diversidade e diferença, é heterogeneidade de culturas, de grupos sociais, de modos de acesso aos benefícios sociais, de idades e estatutos, é diálogo e conflito contínuo de interesses entre cidadãos, é movimento e afirmação de múltiplos modos de vida, é progresso, bem-estar, é concentração de atividade econômica e geração de riqueza.

O mundo urbano é cada vez mais o mundo em que vive a humanidade. Os grandes problemas sociais são, em geral, problemas da cidade: caos urbanístico, insegurança e violência, degradação ambiental, enormes dificuldades de comunicação, ineficiência dos serviços públicos de promoção do bem-estar, gigantescas desigualdades sociais e focos crescentes de exclusão social.

Cidade e Educação estão hoje no centro do processo civilizatório.  A capitalização das cidades, e de seu mercado central, tornou-se um mercado simbólico total e globalizante, que descapitaliza os indivíduos e os distancia da vida em comum.

A educação é um direito e um dever de cidadania. Segundo Roberto Carneiro, a Educação é o princípio motor de inteligibilidade urbana, em que se instaura  atributo do aprendente: pessoas que aprendem, empresas que aprendem,   organizações públicas que aprendem  continuamente irão constituir as cidades do futuro.

Uma cidade educadora é uma sociedade que pode fornecer a todos múltiplas e flexíveis oportunidades de aprender. É uma rede de informações e conhecimento, feita de instituições fortes, de acordos, de associações de interesses e protocolos, projetos conjuntos e vínculos sociais, onde todos têm um lugar, independentemente de idade, sexo, origem social e nível de escolarização. Os cidadãos são atores de socialização, de capital social e comunicação intercultural, pois são atores de educação e formação nos espaços sociais ao longo da vida.

Em meio ao desordenamento urbano, às desigualdades sociais, à corrosão das identidades, individuais e coletivas, é necessário o fomento da comunicação cultural, promotora de educação e aprendizagem para participação social e para a criação de comunidades.

Numa cidade educadora, os “sistemas educativos” são organismos vivos, uma multiplicidade de instituições educacionais, horizontalmente, interdependentes. As tecnologias funcionam de forma agregadora, rompendo as fronteiras entre empresas, escolas, Universidades, agências de desenvolvimento, setor público, de forma a facilitar o intercâmbio de competência institucional e o fluxo de informação e conhecimento entre as comunidades aprendentes.